Arquivo

Archive for the ‘Artigos’ Category

Decapitando João Batista

O tema é bastante sinistro, mas quero refletir um pouco sobre esse fato que aconteceu durante o Ministério terreno de Jesus. João Batista era primo de Jesus e foi o último profeta a anunciar a chegada do Messias que já estava entre eles, mas ainda não havia se manifestado.

Como precursor do Ministério de Jesus, João Batista pregava o batismo do arrependimento para que o povo judeu estivesse com o coração e a mente abertos e preparados espiritualmente para receber o Reino de Deus que estava prestes a se manifestar (Mt. 3:1-12). Ele teve sua cabeça cortada porque suas palavras incomodavam os religiosos da sua época, principalmente quando os confrontava, e os questionava quanto às doutrinas e dogmas que eram pregadas no Templo.

A cabeça de João Batista foi colocada a prêmio quando ele questionou Herodes Antipas por ter tomado para si, a esposa de seu irmão. A lei judaica era clara quanto à essa atitude condenável e João Batista chegou a confrontar Herodes algumas vezes e por isso sua esposa não gostava dele. Assim, na primeira oportunidade, Herodias orientou sua filha a literalmente pedir a Herodes a cabeça de João Batista num prato. Este, por sua vez, constrangido e temendo seus convidados, se acovardou e acabou cedendo a essa solicitação infame, pois a lei não permitia que o rei voltasse sua palavra atrás.

Provavelmente, apesar de Herodias ter eliminado do seu caminho aquele que a confrontava, deve ter passado o resto de sua vida lembrando de sua atitude sinistra e impensada de ter sido a mandante de tamanha atrocidade. Por outro lado, deixou para sua filha um péssimo exemplo dessa atitude condenável de cometer um homicídio.

A natureza do ser humano é não aceitar ser confrontado em suas atitudes comportamentais. Quando somos criticados ou questionados, nosso egoísmo impede de perceber que estamos incomodando as pessoas com as quais convivemos. Entendemos que o ocorrido entre Herodias e João Batista simboliza o conflito entre a justiça e a verdade e, a perversidade e a vingança.

Recentemente li uma frase bastante questionativa e interessante: “responda com toda sinceridade você conseguiria conviver com alguém igualzinho a você?” Comecei a refletir sobre como nos achamos incríveis e melhores que os outros, porém essa frase me mostrou um reflexo de mim mesma e me mostrou o quanto eu preciso melhorar meus relacionamentos e minha interatividade social.

Outra frase que sempre me vem ao pensamento é: “não grite, melhore seus argumentos”. Muitas vezes ficamos tão indignados com as atitudes dos outros que perdemos o autocontrole e subimos o tom das nossas palavras, porque inconscientemente, queremos impor nossa vontade, como se ela fosse absoluta e soberana. Quando estamos convictos de uma verdade, precisamos ter argumentação suficiente para defender aquilo que acreditamos e assim trazer luz e compreensão às nossas palavras.

A melhor forma de ensinar, de liderar ou de influenciar alguém é praticando o que defendemos. Hoje em dia temos visto e ouvido apenas discursos vazios, onde as pessoas querem ensinar ou impor aos outros, coisas que nem elas mesmas conseguem praticar. Jesus foi o maior líder da história, porque Ele vivia exatamente o que pregava. Suas palavras eram encharcadas de autoridade pois exercitava Sua doutrina na sua vivência diária.

Salomão em sua sabedoria escreveu o provérbio: “Assim como o ferro afia o próprio ferro, as pessoas aprendem umas com as outras” (Bíblia King James, Pv. 27:17). A convivência social é que nos traz a maturidade e nos leva a ser pessoas cada vez mais agradáveis e com maior respeitabilidade.

A história bíblica registra fatos semelhantes de pessoas que acabaram sendo eliminadas do seu meio social, justamente por discordarem das atitudes erradas dos que conviviam com elas.

Por pura inveja, Caim matou seu irmão Abel. Eliminar seu irmão não resolveu o seu problema; muito pelo contrário, ele carregou por toda sua vida o peso do seu ato inconsequente (Gn. 4:8-16).

Moisés matou um egípcio com o intuito de fazer justiça com suas próprias mãos e teve que fugir para o deserto, onde viveu por 40 anos até estar preparado e aprovado por Deus para liderar a libertação do povo judeu da escravidão do Egito (Êx. 2:11-15).

Paulo foi interceptado por Deus no caminho de Damasco para que ele não cometesse mais atrocidades contra os cristãos (At. 9:1-31).

Balaão foi interceptado por Deus para que, por suborno, não profetizasse maldição contra o povo judeu (Nm. 22-24).

Deus nos ama e permite com que nos confrontemos uns aos outros em amor, para que sejamos mais agradáveis e assim podermos conquistar uma aceitabilidade maior em nossos relacionamentos. Quando endurecemos nosso coração baseado em nossas convicções, deixamos a prepotência nortear nossas atitudes, permitindo que o próprio Deus intercepte nosso caminho para nos fazer entender que somente Ele é Soberano e que é o único que tem poder para impedir que venhamos levar a cabo desejos decorrentes do nosso instinto de iniquidade.

“Cortar a cabeça”, tentar calar, aprisionar ou de alguma forma tentar cancelar a voz do nosso semelhante que também foi criado à semelhança de Deus, vai no sentido contrário à paz social e impede que o Reino dos Céus venha sobre a terra.

Deus sempre levantou profetas que se dispuseram a fazer a Sua vontade, pregando verdades do Reino dos Céus e trazendo a Sua  justiça sobre a terra.

A história registra diversos eventos de homens poderosos que tentaram impedir os planos divinos, estabelecendo leis de exterminação de povos e até mesmo de Nações, porém, nunca conseguiram impedir os propósitos de Deus para com o homem que criou. Quando Moisés nasceu, Faraó mandou matar todas as crianças recém-nascidas, tentando impedir o nascimento do libertador, mas não conseguiu (Êx. 1:15-22; 2:1-10). Quando Jesus nasceu, Herodes mandou matar todos os recém-nascidos, tentando impedir que nascesse o prometido Rei dos judeus, mas não conseguiu (Mt. 2:13-23). Hitler fez de tudo para exterminar o povo judeu, mas não conseguiu. Os fariseus fizeram de tudo para impedir a propagação do Evangelho de Jesus Cristo, mas não conseguiram.

Assim, não podemos nos acovardar diante das pressões sociais contrárias às verdades da Palavra de Deus, pois, de uma forma ou de outra, Deus sempre fará Seus propósitos acontecerem nesta terra.

Seguem alguns versículos para que possamos meditar e permitir que essas palavras transformem nossa maneira de ser e possamos crescer, não só fisicamente, mas também social, emocional e acima de tudo, espiritualmente.

Dt. 30:19-20

Js. 24:14-15

1 Cor. 6:12

Gl. 5:13

Fl. 2:3-11

A Bíblia registra o conselho do fariseu Gamaliel, que vale a pena conferir em At. 5:34-42). Também não podemos esquecer das palavras do Apóstolo Paulo em 2Tm. 1:7-14 e Hb. 2:1-4 e 4:12-16.

Por Sonia Costa em 04/09/2023

Acesse outros artigos e publicações através do Índice Geral

Categorias:Artigos Tags:, ,