Inicial > Reflexões > Oração do Pai Nosso

Oração do Pai Nosso

04/03/2023

“Pai nosso, que estás nos céus,

santificado seja o teu nome;

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

O pão nosso de cada dia nos dá hoje;

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;

E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal;

porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.

Amém.”

A oração do Pai Nosso, proferida por Jesus e conhecida por todos os cristãos, está registrada em Mt. 6:9-13 e, de uma forma mais resumida em Lc. 11:1-4

Jesus ensinou os seus discípulos a orar num lugar secreto (Mt. 6:6) e não como os fariseus que faziam questão de orar em público, para serem vistos pelos homens. Entendo que esse lugar secreto tem mais a ver com uma posição onde não haja distrações ou influências externas, que venham a comprometer esse momento de intimidade com Deus nosso Pai.

Jesus também faz um alerta quanto às “vãs repetições” afirmando que a prática de repetir orações memorizadas, não garante que serão respondidas, porque o que Deus espera de nós, é intimidade e comunhão com Ele. 

A oração do Pai Nosso se inicia com evocação, adoração e depois, é seguida por rendição, confissão de pecados, petição e novamente adoração.

“Pai nosso que estás nos céus”.  (Evocação)

Quando nos dirigimos a Deus como “Pai nosso”, estamos expressando o sentimento de que Ele é Pai de todos nós, ou seja, deveríamos ser uma grande família de irmãos, unidos pelo mesmo vínculo paternal de um Deus Único. Esse sentimento de amor fraternal deveria inundar o coração de todos os seres humanos para viverem em harmonia e em paz universal.

Quando dizemos “que estás nos céus”, estamos especificando a qual divindade estamos fazendo nossa oração, demonstrando que esse Deus, está acima de todas as demais divindades e, portanto, sendo o criador dos céus e da terra, ninguém tem mais poder do que Ele, para que possa nos abençoar e responder nossas orações. Através da sua morte e ressurreição, Jesus Cristo seu filho nos abriu esse caminho, para que não mais precisássemos de intermediários para conversarmos com o Deus Pai.

“Santificado seja o teu nome”. (Adoração)

Ao dizer “santificado seja o teu nome”, estamos entronizando esse nosso Deus em meio a louvores, honras e glórias, pois somente Ele é digno de todo o louvor. (Ap. 4.11)

“Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. (Petição de Rendição)

Nesta frase está implícito toda a nossa pequenez e impotência diante da soberania divina, pois Sua presença enche os céus e a terra. Com estas palavras estamos submetendo nossa vontade à vontade do Pai em toda a sua plenitude. Estamos reconhecendo que somos impotentes e imperfeitos e por isso declaramos que a Sua vontade sempre será a melhor escolha. Seus propósitos nos permitem vivenciar a atmosfera dos céus, mesmo enquanto vivemos aqui na terra. Cremos que o céu é o paraíso porque é governado pelo nosso Deus Criador e, pela fé, quando damos legalidade para que Ele faça a Sua vontade em nós, podemos trazer o paraíso aqui na terra. Desde a desobediência e queda do primeiro homem, sempre foi a vontade de Deus trazer novamente Seu Reino para a terra. (Mt.3:2Dn.7:14Is.9:7Is.11:1-5)

“O Pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. (Petição de Subsistência)

Podemos entender esta frase como uma súplica pelo alimento diário para nossas necessidades físicas e biológicas, pois o Senhor Jesus nos ensinou que não precisamos nos preocupar com o alimento futuro, que Ele conhece e supre as nossas necessidades diárias. (Mt. 6:25-26) Aqui podemos entender que Jesus também se referiu ao Pão espiritual, pois Ele mesmo se apresentou assim. (Jo. 6:35). Quando fazemos essa petição para que Deus nos dê o pão de cada dia, precisamos ter em mente, que Deus nos providencia diariamente, tanto o pão físico quanto o Pão espiritual, porém cabe a nós nos alimentarmos desses pães. Podemos acabar morrendo de fome, se não tomarmos a atitude de ingerirmos os alimentos que temos disponíveis a cada dia. Nossa vida espiritual também ficará estagnada e raquítica se não nos alimentarmos diariamente da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. 

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. (Petição e Confissão de pecados)

Essas dívidas podem ser consideradas no sentido literal, mas principalmente no sentido moral, pois o homem não tem como pagar Deus em troca de perdão, e portanto, precisa depender do perdão gratuito de Deus. Deus não nos perdoará se nós também não perdoarmos. Precisamos perdoar sem esperar nada em troca, da mesma forma que Deus nos amou ao ponto de dar seu próprio Filho Jesus Cristo, através do qual somos perdoados gratuitamente. Se vivermos uma vida de liberação constante de perdão pelas ofensas recebidas, sempre poderemos esperar pela misericórdia de Deus.

“E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal”. (Petição de Proteção e Livramento)

A interpretação desta petição para que Deus não permita que caiamos em tentação, na verdade, é um pedido de fortalecimento espiritual para que não venhamos a pecar ou cometer pecado que possa nos afastar de Deus. Muitas vezes Deus permite vivenciarmos algumas circunstâncias que servem para provar nossa fidelidade para com Ele, mas em situações assim, Ele nos fortalece, e proporciona livramento para que possamos suportar a prova sem pecarmos. (1 Cor. 10:13Tg. 1:13-16) O melhor que temos a fazer é seguir o exemplo de José, Governador do Egito, que por temer a Deus, preferiu fugir da tentação e ser acusado injustamente, do que brincar com o pecado. (Gn. 39:7-21)

“Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre”. (Doxologia)

Essas palavras não aparecem na versão do Pai Nosso contida em Lc. 11:1-4, mas é uma declaração que pode ser comparada com 1 Cr. 29:11-13, quando o Rei Davi expressou sua alegria por ter arrecadado material suficiente para a construção do Templo. A palavra doxologia é composta por dois termos em grego: “doxa” (glória) + “logia” (palavra), significando a utilização de palavras em forma de hinos, poesias, orações e louvores, para exaltar e engrandecer a Deus. Em nossa comunhão com Deus, é importante que nossas orações sejam iniciadas e finalizadas com uma verdadeira doxologia, pois é uma forma de nutrirmos uma intimidade maior com o Deus Trino. No Livro de Salmos encontramos diversas doxologias que expressam honras e adoração ao Deus Criador (Sl. 9:1-2; 18:1-2; 19:1-5; 24:7-10; 29:1-5; 47:1-2; 66:1-4; 81:1-4; 84:1-4; 92:1-2; 96:4-6; 104; 136; 150).Em suas cartas, o Apóstolo Paulo fez uso da doxologia diversas vezes (Rom. 11:36; Gl. 1:5; Ef. 1:3 e 3:20-21; Fl. 4:20; 1Tm. 1:17). Quando utilizamos essas doxologias em nossas orações, sentimos aumentar nossa intimidade com Deus. Te encorajo daqui por diante, fazer uso delas; sua fome por mais de Deus e da Sua Palavra vai aumentar bastante. Experimente!

“Amém”.

Esta palavra é sempre utilizada para finalizar uma prece ou oração. Essa expressão é utilizada desde o tempo dos apóstolos, como forma de confirmar o que Jesus pregava. Amém, revela concordância, consentimento e aprovação incondicional. O apóstolo Paulo escreveu em 2 Cor. 1:20 “pois, tantas quantas forem as promessas de Deus, todas têm em Cristo o “sim”. Por isso, por intermédio dele, o “Amém” é proclamado por nós para a glória de Deus”. Antes do Amém, nossas orações precisam ser sempre terminadas com a expressão “Te pedimos, oh Deus, em Nome de Jesus, Amém!” Não é correto terminarmos nossa oração dizendo “Oh Deus, te pedimos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, pois subentende que estaríamos pedindo a uma quarta pessoa, e a única pessoa que nos orienta a pedirmos em seu nome, é Jesus. (Jo. 14:13). O Espírito Santo que é considerado a terceira pessoa da Trindade, intercede por nós junto ao Pai, mas não nos ensina a pedirmos a Deus em seu nome. (Rom. 8:26-27).

Estejamos atentos em nossas palavras de oração, pois o próprio Jesus disse aos seus discípulos “errais por não conhecer as escrituras e nem o poder de Deus” (Mt. 22:29). Sempre temos algo mais para aprender com a Palavra de Deus. Que o exemplo de oração deixado por Jesus, possa ser a base para que nossas orações sejam mais eficazes. 

Por Sonia Costa em 17/06/2021

Acesse outros Artigos através do Índice Geral